
Leia o texto elaborado para a Oficina da Secretaria de Estado de Educação:
O DESENHO ARTÍSTICO COMO FORMA DE EXPRESSÃO DO ALUNO
Sabemos que o desenho é uma linguagem não-verbal e que desde as antigas sociedades servia como forma de se registrar fatos, ou mesmo de se transmitir alguma mensagem.
A expressão por meio do desenho deve ser valorizada para nós educadores. Acaso serão transmitidos através da produção somente o talento dos alunos? Não. Devemos nos atentar que o aluno pode estar, por meio do desenho, nos apresentando suas frustrações, dificuldades e sua realidade cotidiana.
Ao observar a capa deste breve trabalho, observamos a expressão por meio da arte de um aluno habilidoso, mas a proposta do trabalho era a seguinte: “Minhas férias”, onde se dividia uma folha A-4 ao meio e de um lado eu pedi para que fosse registrado um momento do que se conseguiu fazer durante o período e do outro algo que não se fez, mas que gostaria de se fazer. Em qual dos dois lados estava este desenho? Justamente, na vontade de querer visitar o Cristo Redentor e a Cidade do Rio de Janeiro.
Os alunos revelam pelo desenho a sua realidade cotidiana, suas vontades e provam que o velho dito popular “uma imagem vale mais do que mil palavras” ainda é muito valioso nos dias atuais.
É lógico que o desenho não pode ser apenas fruto da livre expressão, como vimos nesta proposta. Se faz necessária a apresentação do conhecimento e a utilização das imagens para que o aluno possa observar e realizar outras propostas quando tratamos do desenho artístico como forma de expressão.
FILMES E OBRAS DE PORTINARI COMO RECURSOS VISUAIS E CONSTRUÇÃO E CONHECIMENTO:
Outra experiência que conciliou tais possibilidades foi a apresentação dos filmes “Central do Brasil” e “O auto da compadecida”. Esta proposta fora realizada com os alunos do 7º ano do terceiro turno.
A RELEITURA DA OBRA DE ARTE
Reler significa ler de novo, tentar outros significados.
Uma proposta de releitura de obra de arte que é muito interessante após a apresentação do artista, vida e obra é a da pintura “Quarto em Arles” do Holandês Vincent Van Gogh.
A pintura retrata o quarto do artista na casa que alugou em Arles, na França e que mandou pintar de amarelo.
A pintura retrata o lugar de descanso do artista, mesmo com a inquietante inclinação do chão e dos quadros na parede.
Van Gogh descreveu este quadro como algo que sugerisse uma certa tranqüilidade:
“É simplesmente o meu quarto. É a cor que me faz tudo, dando, por meio da simplicidade, maior estilo às coisas, e sugerindo a idéia de calma ou, naturalmente de sono. Em resumo, a presença do quadro deve acalmar a cabeça, ou melhor, a fantasia”.
Como fazer uma proposta para que o aluno releia esta obra? Podemos sair do plano bidimensional e trabalhar o plano tridimensional, mas seria tudo o que podemos fazer? Não. Podemos transformar o quarto de Van Gogh no quarto do aluno. Com o isopor servindo como suporte o aluno pode recriar esta imagem, fundamentado na sua referência cotidiana, o seu próprio local de descanso. Esta proposta eu fiz com os meus alunos do C.E. Afonso Pena do Ensino Médio e resultou em excelentes resultados, embora não tenha registrado em imagens para anexar ao resumo.
A proposta consiste em que o aluno utilize palitos, papelão ou papel cartão, retalhos, tinta guache, garrafas pet, etc. E que com esses simples recursos, crie os elementos que possam compor o ambiente do seu quarto, tais como: cama, objetos, cortina, etc.
Texto adaptado